quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Terra Nova

Recém chegada a Luanda, conheci o Guardião do Mausoléu, figura bizarra e assustadora, semi nu fazia pinos no espaço. Não sei o seu verdadeiro nome, nem se virei algum dia a sabê-lo, mas o importante é que ele está lá, com o seu cão enforcado.
Já cá tinha estado há dez anos, a trabalho, por temporadas com fim à vista. Agora não, é diferente, venho para ficar.
O meu homem é Angolano, de berço e de cartão, já a mãe o era, nascida na Caala, cota de noventa e muitos anos, continua a achar que há cazumbis muito poderosos que conduzem a vidas das pessoas… Ele ama o seu país natal, e conhece esta cidade, não vive os meus espantos. Cá sinto o seu amor pela terra, em mim, intenso, brutal e apaixonado.
Quero trabalhar nesta terra nova, renascida, imensa de oportunidades, que a Europa, senhora velha, estéril e corrupta, já não tem para oferecer. Para além de tudo está doente, a senhora, e para apaziguar as suas dores, precisa de sacrifícios, para se alimentar, para se manter viva, sacrifícios de sangue, dos novos, dos velhos, mas sempre dos  desfavorecidos socialmente. À sua doença chama-lhe crise, é uma doença imunda, inventada, por ela, e pela sua amiga América, muito conveniente esta doença, que se desenvolve em torno de produtos tóxicos nas bolsa de valores, ladrões de bancos sem máscara e com muitos cavalos, tráfico de influências à descarada, zonas off-shore, paraísos fiscais, e assim coisas destas fáceis de matar… mas que não interessa, porque os cofres dos governos vão pagar por cima, com os impostos arrecadados, sacados aos que estão sempre no altar dos sacrifícios.
Continuo a encontrar o Guardião todos os dias, não é o mesmo, mas age como se fosse….

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