terça-feira, 16 de abril de 2013

As Luandas, a Velha, a Sul e os Musseques Ou Um Dragão de Três Cabeças - parte II



Os motoqueiros andam de máscara e de lenço, e multiplicam-se a uma velocidade alucinante. Chegarão um dia aos nove milhões de bicicletas de Beijing?
As motas são uma alternativa válida aos congestionamentos desgastantes e caóticos, que vivem na cidade, e que enlouquecem os condutores. É normal consumir duas horas para descer do kinaxixi à baixa, por exemplo, duas horas de stress.
Contrariamente a tudo o que é normal e razoável, as motas não estão abrangidas pelo código da estrada, circulam livremente, em sentido contrário, por cima dos passeios, não respeitam os sinais de trânsito, ultrapassam pela esquerda, (mas isso também os  carros, e principalmente os taxistas), não obedecem à ordem do sinaleiro, e quando estes as obrigam mesmo a parar, por força de prioridade de qualquer comitiva, quando  arrancam na sua nuvem de fumo,  são  como um enxame de vespas venenosas, atirando-se para cima de pessoas, ou animais, fazendo todos fugir à sua passagem.  Dado o deplorável estado da maioria dos passeios, as pessoas não têm alternativa à estrada, correndo risco de vida, muitas vezes sem que disso se apercebam!   
Os condutores em Luanda são uma chaga urbana! Meu Deus, Vinicius disse um dia que não há nada pior que um sapato apertado, mas há! São os condutores em Luanda. Atiram-se contra as pessoas, não respeitam as regras de trânsito, não têm um gesto cívico, um sorriso, estão furiosos na ânsia de chegar, e a ira apodera-se deles e transforma-os em seres sem humanidade, há muitos Fangios e Fitipaldis perigosos, ninguém dá prioridade aos peões. E cúmulo total quando paro numa passadeira para dar passagem a um peão apitam-me freneticamente como se estivesse a cometer a maior das infracções, a fazer a pior das atrocidades, é difícil de descrever este comportamento humano… esta falta de civismo.
Em simultâneo são estas mesmas pessoas, que noutro papel social, respeitam os mais velhos, ouvindo-os, tratando-os com carinho, dando-lhes importância e prioridades várias. Esta dualidade de critérios, estes comportamentos antagónicos ficarão por explicar, até ao dia da publicação deste manuscrito, que vai ser nunca.
Em contrapartida, outros povos, agarram nos velhos e colocam-nos no velhão, os velhos são descartáveis  como as fraldas, enquanto servem aproveitam-se quando não,  vão para o lixo.  Humanidade para onde vais?

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