Os motoqueiros andam de máscara e de lenço, e multiplicam-se
a uma velocidade alucinante. Chegarão um dia aos nove milhões de bicicletas de
Beijing?
As motas são uma alternativa válida aos congestionamentos
desgastantes e caóticos, que vivem na cidade, e que enlouquecem os condutores. É
normal consumir duas horas para descer do kinaxixi à baixa, por exemplo, duas
horas de stress.
Contrariamente a tudo o que é normal e razoável, as motas não
estão abrangidas pelo código da estrada, circulam livremente, em sentido
contrário, por cima dos passeios, não respeitam os sinais de trânsito,
ultrapassam pela esquerda, (mas isso também os carros, e principalmente os taxistas), não
obedecem à ordem do sinaleiro, e quando estes as obrigam mesmo a parar, por
força de prioridade de qualquer comitiva, quando arrancam na sua nuvem de fumo, são
como um enxame de vespas venenosas, atirando-se para cima de pessoas, ou
animais, fazendo todos fugir à sua passagem.
Dado o deplorável estado da maioria dos passeios, as pessoas não têm
alternativa à estrada, correndo risco de vida, muitas vezes sem que disso se
apercebam!
Os condutores em Luanda são uma chaga urbana! Meu Deus,
Vinicius disse um dia que não há nada pior que um sapato apertado, mas há! São
os condutores em Luanda. Atiram-se contra as pessoas, não respeitam as regras
de trânsito, não têm um gesto cívico, um sorriso, estão furiosos na ânsia de
chegar, e a ira apodera-se deles e transforma-os em seres sem humanidade, há
muitos Fangios e Fitipaldis perigosos, ninguém dá prioridade aos peões. E
cúmulo total quando paro numa passadeira para dar passagem a um peão apitam-me freneticamente
como se estivesse a cometer a maior das infracções, a fazer a pior das
atrocidades, é difícil de descrever este comportamento humano… esta falta de
civismo.
Em simultâneo são estas mesmas pessoas, que noutro papel
social, respeitam os mais velhos, ouvindo-os, tratando-os com carinho,
dando-lhes importância e prioridades várias. Esta dualidade de critérios, estes
comportamentos antagónicos ficarão por explicar, até ao dia da publicação deste
manuscrito, que vai ser nunca.
Em contrapartida, outros povos, agarram nos velhos e
colocam-nos no velhão, os velhos são descartáveis como as fraldas, enquanto servem
aproveitam-se quando não, vão para o
lixo. Humanidade para onde vais?
TV
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